A TRANSFORMAÇÃO DA LOGÍSTICA NO PONTO DE VENDA

By 6 de abril de 2022Artigo Diagma

 

O contexto da pandemia de Covid-19 reforçou o papel logístico dos pontos de venda como elos fundamentais na distribuição omnicanal. Também acelerou a necessidade de transformá-los para oferecer serviços mais diversificados, mas com o mesmo alto nível de exigência, independentemente do canal utilizado pelo consumidor. Como alcançar efetivamente essa transformação?

A logística do ponto de venda está em pleno desenvolvimento. Com o crescimento do e-commerce e do varejo omnichannel, o papel logístico do ponto de venda está evoluindo e se tornando essencial. As lojas – especialmente de médio e grande porte – devem agora se organizar da melhor maneira possível para gerir uma variedade de serviços logísticos: pick up in store, click & collect, drive, ship from store, devoluções (incluindo de vendas Web)… Tudo isso ao mesmo tempo em que continuam a garantir as atividades clássicas do varejo, como a reposição do linear e a venda assistida.

Exemplos de serviços logísticos gerenciados por loja em um contexto omnicanal

Pick up in store Pedido Web preparado no centro de distribuição e entregue na loja para coleta do cliente
Click & collect Pedido Web preparado na loja (com estoque da loja) para coleta do cliente
Drive Pedido Web preparado na loja ou em um centro de distribuição para retirada de um cliente motorista
Ship from store Pedido Web preparado na loja (a priori com estoque da loja) para entrega em domicílio ou em um ponto de coleta

O contexto da pandemia intensificou essa transformação logística dos pontos de venda. Durante os períodos de fechamento, as lojas tiveram de se converter em verdadeiros micro-centros de distribuição, limitando a sua atividade à preparação de pedidos para retirada ou entrega em domicílio. E desde a reabertura, alguns dos clientes, tendo se acostumado com as comodidades do e-commerce ou querendo evitar as multidões dos pontos de venda, continuam a fazer as suas compras à distância.

Estoques confiáveis para garantir a disponibilidade do produto…

Em termos de processos logísticos e sistemas de informação, a loja necessita de soluções mais simples, intuitivas e flexíveis do que as operações de um centro de distribuição tradicional. No ponto de venda, a questão principal é garantir a disponibilidade do produto ao cliente e, portanto, a confiabilidade dos estoques. É também proporcionar um serviço rápido e flexível, mais do que ganhar em produtividade. Para isso, é necessário privilegiar as soluções e sistemas concebidos especificamente para a logística no ponto de venda.

Durante nossos projetos, pudemos acompanhar – e ajudar a otimizar – soluções projetadas para melhorar as operações de logística nas lojas. Um dos aspetos fundamentais, sobretudo para superfícies de maior dimensão, é a gestão dos estoques nas reservas da loja. Esses estoques, tradicionalmente “pulmões” das prateleiras para produtos de alta rotatividade ou de grande porte, agora também devem ser usados para a separação de pedidos Web dos clientes – particularmente se a loja estiver procurando reduzir o impacto dessa atividade na área de vendas, para não prejudicar a experiência dos clientes tradicionais.

RFID para tornar o estoque mais confiável e facilitar a preparação

Uma ideia interessante que observamos em uma loja de vestuário/moda com dezenas de milhares de referências, algumas das quais com estoque nas reservas, é a implementação do RFID. Essa tecnologia possibilita o acompanhamento das entradas e saídas de estoque das reservas da loja. Também facilita a busca pelo produto a preparar, sem impor ao ponto de venda processos de escaneamento sistemático e gestão de endereçamentos como em um centro de distribuição. Equipado com um terminal, o operador da reserva da loja é notificado da chegada de um pedido de cliente e da localização precisa dos produtos a separar. A preparação pode então ocorrer muito rapidamente e limitando os inconvenientes causados aos clientes na área de vendas.

Um WMS “simples” para otimizar sem sobrecarregar os processos

Outra tendência a ser observada também é o desenvolvimento de WMS específicos (ou camadas “simplificadoras” de WMS tradicionais) para operações de loja. O objetivo aqui novamente é tornar o estoque mais confiável (com noções de localização do produto dentro da loja) e aumentar a agilidade na preparação de pedidos, sem exigir que o ponto de venda tenha a mesma disciplina de um centro de distribuição em termos de processos. Este tipo de solução visa facilitar a declaração de movimentos de estoque e tornar as tarefas logísticas mais intuitivas e simples. É importante lembrar que o core business da loja continua sendo a atenção dedicada aos clientes – e os colaboradores das lojas não possuem necessariamente uma forte expertise em logística.

Sistemas logísticos automatizados em pontos de venda

Com o rápido desenvolvimento dos volumes de pedidos a preparar, as adaptações de processos e de TI às vezes não são mais suficientes. Estamos também vendo o surgimento de soluções de automação logística – tradicionalmente pensadas para centros de distribuição – aplicadas à escala de um ponto de venda.

A abrangência ainda é limitada às lojas de grande porte, que possuem uma divisão física entre a área de vendas e a área de reserva – esta última passando a ser o que se chama de micro-fulfillment center. O sistema automatizado poderá atender tanto as necessidades de reabastecimento do linear quanto a preparação de pedidos Web. O objetivo é duplo: minimizar os tempos de preparação com uma lógica goods-to-person e aumentar a capacidade de estocagem, permitindo um aumento do sortimento disponível na loja.

Automação da logística do ponto de venda, um mercado promissor

A automatização da logística das lojas continua a ser um fenômeno marginal até aqui – mas com um forte potencial de desenvolvimento. A empresa de pesquisa especializada Interact Analysis prevê um crescimento espetacular do mercado de micro-fulfillment centers: no horizonte 2025-26, ele passaria a valer US$ 5,5 bilhões, em comparação com apenas US$ 136 milhões em 2020. Esse crescimento seria alimentado pelo aumento natural do comércio eletrônico e amplificado pelas mudanças duradouras de comportamento ligadas à crise do Covid-19. Como exemplo, no final de 2019, o Walmart montou um piloto de automação para a reserva de um de seus Supercenters em New Hampshire, nos Estados Unidos, baseado em robôs móveis Alphabot – desenvolvidos pela start-up Alert Innovation. Esse tipo de solução, implantada em uma área de aproximadamente 2.000 m², deve ser estendido a outras lojas do Walmart em breve.

Soluções modulares e escaláveis

Esses sistemas automáticos podem ser instalados em superfícies relativamente pequenas, a partir de 1.000 m² (mas raramente abaixo), para 15.000 referências (ou mais). Players tradicionais da automação de centros de distribuição, como Dematic, Knapp ou Swisslog, estão fazendo sua entrada no mercado de micro-fulfillment centers, às vezes acompanhados por start-ups como as empresas Takeoff Technologies, Alert Innovation ou Exotec. Esta última implantou recentemente seu sistema automatizado para gerenciar pedidos de drive-thru em um hipermercado na França.

Interessadas em atender às necessidades especificas dos pontos de venda, essas soluções são muitas vezes modulares, para se adaptar a diferentes formatos e evitar investimentos excessivos de instalação. Além disso, para limitar ainda mais o CAPEX, pode-se imaginar lógicas de centralização em uma mesma área urbana. Assim, uma loja com uma reserva maior e automatizada pode atuar como um micro-fulfillment center regional para clientes Web e lojas menores da mesma região.

Projetos que permanecem complexos

Embora a operação da solução automatizada deva ser o mais simples possível para a loja, seu design está longe de ser tarefa fácil. Vários aspectos devem ser bem pensados e integrados em um projeto de automação da loja: coordenação entre os diferentes fluxos (recepção, reposição do linear, preparação de pedidos, devoluções), consolidação com itens a preparar na área de vendas e gestão adequada do cronograma de operações – com prováveis picos horários.

A organização do trabalho em sentido amplo também precisa ser repensada em termos de:

  • Perfil dos colaboradores (atentos aos detalhes, confortáveis com sistemas, autônomos, flexíveis…)
  • Tipologia das equipes (especializadas ou multidisciplinares)
  • Governança, em particular para decisões operacionais (prioridade entre as atividades tradicionais da loja e pedidos Web, por exemplo)
  • Indicadores de desempenho
  • Treinamento
  • Sistema de reconhecimento coletivo e individual

Diferenciação real para projetos de automação bem-sucedidos

Trata-se, portanto, de um grande desafio que exige, tal como no centro de distribuição, uma boa sincronização entre os vários membros do projeto: varejistas, fabricantes de equipamentos automatizados, integradores e consultores – sendo a recompensa um verdadeiro fator de diferenciação para clientes Web que desejam um serviço ágil e eficiente!

 

Rodrigo VALENTE ZERO

Manager, DIAGMA

rzero@diagma.com

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