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agosto 2017

Distribuidora de combustíveis planeja expansão em Minas Gerais

Por Diário do Comércio

A pernambucana Total Combustíveis tem planos audaciosos para Minas Gerais. A distribuidora, que já atua no Triângulo Mineiro, em cidades como Uberaba e Uberlândia, e na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), quer agora alçar novos voos e expandir suas operações para outros municípios do Estado. As informações são do diretor de Logística da empresa, Roberto Soares.

Embora não revele maiores detalhes, em função do plano estratégico de expansão da distribuidora, o diretor informou que até o final deste exercício a Total estará presente em outras cidades de Minas. Segundo ele, tamanha aposta se deve ao potencial do mercado mineiro.

“Estamos falando do segundo maior mercado consumidor de combustíveis do País. Neste quesito, Minas Gerais só perde para São Paulo. Por isso, estamos expandindo nossas bases de distribuição no Estado”, contou.

Além de Minas Gerais, a empresa que começou a operar em 1996 no Complexo Industrial e Portuário de Suape, em Pernambuco, hoje atua também em Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Tocantins, além do Distrito Federal.

Outra novidade para este exercício é a chegada das operações da companhia em São Paulo, por meio da aquisição de um espaço de armazenagem em Paulínea, no interior do estado. A aposta é que estes investimentos permitam com que a empresa mantenha o ritmo de crescimento na ordem de 10% também neste exercício, mesmo diante do cenário de crise.

Neste sentido, o sócio-fundador da Diagma Consultoria em Supply Chain, que presta serviços para a Total, Aurelien Jacomy, ressaltou que os investimentos na gestão de processos e o desenvolvimento de uma área interna de Supply Chain na empresa também têm sido fundamentais para a manutenção do crescimento dos negócios.

“Fomos contratados com o objetivo de melhorar a gestão operacional e reduzir custos logísticos e transporte da Total. Uma empresa precisa crescer com responsabilidade e essa foi a preocupação deles, já que querem crescer de forma sustentável”, justificou.

Com a expansão da empresa, a consultoria francesa que atua no Brasil desde 2012 identificou a necessidade de implementar processos de gestão do abastecimento, como previsão de demanda, gestão de pricing e melhoria nos processos de planejamento de vendas e operações, por exemplo.

Participação – A Total possui o título de quarta maior distribuidora de combustível do Brasil e fatura atualmente valores que ultrapassam R$ 5 bilhões por ano. A empresa trabalha com mais de 150 pontos franqueados que atendem 2.300 postos, espalhados por 14 estados brasileiros.

Além de monitoramento de amostragem, análises qualitativas de produtos e acompanhamento do descarte de materiais, a Total Combustíveis oferece aos clientes seguro para transporte das cargas, um centro de atendimento aos clientes com atendimento via redes sociais e um reconhecido programa de responsabilidade ambiental.

(Fonte: Diário do Comércio – 11/08/17)

DEMAND SENSING AINDA ENGATINHA NO BRASIL

Por Eduardo Sanches

Um produtor de cerveja e uma companhia de refrigerante se reúnem com suas equipes de marketing, vendas e logística para compartilhar dados e pesquisas de tendência de consumo, aumentando a rentabilidade das operações e a previsibilidade dos mercados. Porque o consumo de bebidas alcóolicas cresceu ou diminuiu em determinado período? Quais os feriados onde se consome mais refrigerante e como isso influencia a venda de outras bebidas? Como a interação da marca nas redes sociais impacta no sucesso promocional ou no lançamento de uma nova bebida?

Esse tipo de convergência operacional é o que propõe o modelo de “Demand Sensing”, que começa a ser observado em grandes multinacionais pelo mundo apoiado no uso de softwares, tecnologias de machine learning e análise de big data. No Brasil, apesar da evolução crescente dos processos de planejamento de demanda e na integração dos planos de vendas e de operações, o compartilhamento ainda esbarra na cultura da falta de confiança corporativa, segundo avaliam especialistas da Diagma – Consultoria em Supply Chain.

Quase 80% das informações necessárias para operação do projeto de supply chain estão disponíveis externamente à empresa, em um mercado onde poucos gestores investem na visibilidade de cadeia. Resultado disso é que 70% dos varejistas brasileiros não conseguem prever nem mesmo os atrasos de abastecimento e entrega dos produtos de seus fornecedores.

Em um mercado onde cerca de 61% dos compradores entre 18 e 34 anos abandonam uma marca quando ocorrem problemas relacionados a cadeia de suprimentos, por exemplo, demora na entrega de um produto, torna-se fundamental aprimorar as operações e prever melhor o comportamento dos mercados para atender este consumidor cada vez mais ansioso e exigente.

Mas, se a maioria das empresas já evoluiu seus processos de varejo e ferramentas internas de planejamento, na relação com parceiros e concorrentes o modelo tradicional ainda encontra resistência na integração.

Eduardo Sanches, especialista da Diagma – Consultoria em Supply Chain, explica como o Demand Sensing aumenta a visibilidade das informações da cadeia de suprimentos e do mercado, permitindo utilizar estes dados para estimar e estimular a demanda. “O Demand Sensing, além do histórico estatístico, considera dados do mercado e da concorrência, lealdade e preferência de marca, mídias e redes sociais, dados detalhados dos pontos de venda e dos canais de venda, clima e elasticidade das promoções. Passa-se então a ter uma quantidade gigantesca de dados, algo que no Demand Planning seria algo em torno de 100.000 dados, em média, o Demand Sensing alcança 10 bilhões de dados. A mudança é de um modelo estimativo para um preditivo”, explica Eduardo. Multinacionais como Unilever, Procter & Gamble e Kimberly-Clark são algumas das grandes investidoras em Demand Sensing na era digital.

O problema cultural da falta de confiança mútua nas empresas brasileiras aparece no momento de compartilhar dados, mantendo retail e indústria afastados da gestão compartilhada. Se a indústria muitas vezes já está voltada para os processos de gestão, há pouca conexão e diálogo com o varejo, realmente responsável por levar o produto até o consumidor. Pesquisa realizada pela entidade internacional EurOMA aponta que o índice de compartilhamento de dados entre indústria e fornecedores é de 54% sobre planos de produção e de apenas 26% para mutualização.

A solução? Construir uma relação passo a passo de confiança e apoio mútuo entre setores de uma mesma empresa e mesmo entre concorrentes. “A ferramenta do varejo para prever a demanda é o histórico de vendas, sem considerar outros elementos. A mudança deve começar devagar, testando oportunidades. Ao incorporar um novo dado do mercado, quanto aumenta a previsibilidade da demanda? Quantas oportunidades de negócio se criam? Com essa percepção de previsibilidade e números em mãos a confiança vai se criando naturalmente”, explica o especialista.

Para viabilizar este atendimento ao cliente final, sem onerar custos, recomenda-se investir em uma gestão cada vez mais integrada, não só de produtos, mas de informações. Em um momento de transformação digital na sociedade e nos negócios é certo que toda gestão de informação é “digitalizável” e não seria diferente na gestão da cadeia de produtos.

“Trabalhar com Demand Sensing envolve investimentos em tecnologia, mas há uma importância tremenda em obter os dados da ponta, ou seja, dos pontos de venda e dos influenciadores de consumo. Estes estão, em geral, disponíveis para o varejista, mas raramente para a indústria. Quantas empresas conhecem seu “sell in” (venda para varejo), no entanto nem fazem ideia do “sell out” (venda para consumidor)? Antes de evoluirmos digitalmente, temos que evoluir para uma cultura de confiança de que o trabalho colaborativo entre empresas, por exemplo, indústria e varejo, gera valor compartilhado para toda cadeia de suprimentos até o consumidor”, completa Eduardo.

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