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Betânia aplica R$ 25 mi em fábrica de Morada Nova

Por Diário do Nordeste

Marca líder na venda de leite longa vida na região Nordeste e há 47 anos atuando no mercado, a Betânia investirá R$ 25 milhões em sua fábrica de laticínios no município cearense de Morada Nova, na região do Jaguaribe. A partir do aporte financeiro, a unidade terá a capacidade de produção de iogurtes duplicada para cinco mil toneladas mensais, sendo necessário contratar mais 60 funcionários.

“Hoje, nós estamos presentes em mais de 20 mil pontos de venda. Para este ano, queremos consolidar a distribuição dos produtos e ampliar nossa presença na gôndola. Seguimos investindo em produção e aperfeiçoamento dos nossos produtos e, ainda nesse primeiro semestre, lançaremos no mercado nossos iogurtes com nova fórmula e embalagens”, afirma o presidente da Betânia, Bruno Girão.

Com cinco plantas industriais nos estados do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Sergipe, Girão destaca que a Betânia tem auxiliado no processo de desenvolvimento dessas regiões. De acordo com ele, a empresa mobiliza 3,5 mil fazendeiros em cerca de 300 municípios, com uma produção de 630 mil litros de leite por dia.

Fabricação

“Além disso, contamos com 1.800 funcionários diretos e mais de 20 mil estabelecimentos comerciais envolvidos”, acrescenta, informando que cerca de 60% da produção de leite da empresa vêm de fazendas cearenses. Toda essa estrutura movimenta uma enorme cadeia de serviços.

Diariamente, a Betânia processa 1.700 pedidos e entrega mais de 700 toneladas nos pontos de venda. Da produção nas fazendas, o leite produzido cruza estradas, passa por diferentes processos da indústria para chegar aos supermercados. São 200 veículos entregando e abastecendo as filiais todos os dias, movimentando a economia de diversos municípios nordestinos.

Além das unidades cinco unidades industriais, a Betânia também dispõe de oito centros de distribuição. A linha de produtos da companhia inclui: leites pasteurizados; leites longa vida; bebidas lácteas; iogurtes; queijos; requeijões; doce de leite; leite em pó; creme de leite; e leite condensado. São mais de oitenta produtos e cinco marcas: Betânia, Lebom, Jaguaribe, Cilpe e Latimilk.

Logística compartilhada

A Betânia faz parte do grupo CBL Alimentos, que recentemente montou sistema de logística compartilhada por meio de projeto piloto da Associação ECR Brasil (Resposta Eficiente ao Consumidor) e apoio da consultoria em Supply Chain Diagma. O projeto de mutualização logística com parceiros regionais chega a reduzir em até 30% as tarifas de frete e à metade o tempo para distribuição dos produtos. Ao final de 12 meses do projeto piloto, os parceiros envolvidos chegaram a uma economia de R$ 560 mil.

Superintendente de Planejamento de Vendas e Operações e Logística na CBL, Antonio Rodrigues aponta que os principais desafios do novo sistema ainda são a cultura de pouca confiança entre os parceiros para compartilhamento de dados e a ausência de dados institucionais das próprias empresas, sendo o grande desafio transformar esse projeto piloto em um processo contínuo.

O consumidor virou o centro da logística

Por Aurélien Jacomy para o Portal DCI

Supermercados são espaços democráticos. Foram os primeiros a mudar o papel do consumidor na cadeia de abastecimento com o livre serviço, em que o cliente se serve na prateleira em vez de ser atendido por um vendedor. Agora, com o e-commerce, estão prestes a se reinventarem para sobreviverem em um cenário onde o cliente não é mais destino, e sim um ator que influencia a logística do varejo.

Antes, o consumidor era cliente da cadeia de suprimentos. Nesse sistema, áreas de abastecimento veem as lojas como seus clientes, cabendo a Consultoria em Supply Chain atuar como ponte entre fornecedores e lojas. Todo o contato com o cliente é feito pela loja e vendedores. O ponto de entrada da mercadoria é o centro de distribuição.

O e-commerce mudou as fronteiras. Hoje, a Consultoria em Supply Chain está em contato direto com o cliente e a qualidade das entregas reflete em sua satisfação. A velocidade da entrega, ou a facilidade de retorno, são pontos avaliados como importantes pelos consumidores.

Ainda assim, permanecem em atividade modelos em que o cliente é apenas o destino da mercadoria. Com o “omnicanal”, o cliente entra de fato na cadeia de abastecimento.

Para um supermercado, a pergunta não é mais saber como abastecer a loja, mas entender onde o cliente irá consumir o produto, como irá comprá-lo e, finalmente, qual a melhor forma para que o produto chegue até seu destino?

O e-commerce propôs um serviço diferente da experiência usual de compras. Mas o que observamos é que as duas tendências se desenvolvem em paralelo, diversificando a escolha do cliente. O resultado é que este se envolve cada vez mais nos processos logísticos, ao influenciar e alimentar diferentes formas de consumo: do picking (livre serviço nos lineares), o self check-out (compre online e retire na loja), até o social picking (um cliente separa o pedido de outro cliente, enquanto faz as próprias compras).

O consumidor participa também da gestão dos fluxos. A coleta de informações se multiplica por meio de redes sociais e permite melhorar a previsão da demanda, ou mesmo sugerir um pedido para um determinado cliente. Em resumo, empresas precisam integrar o cliente nos seus projetos de Supply Chains, e considerá-lo ator logístico consciente, além de fonte de informação na tomada de decisão.

sócio-fundador da consultoria Diagma no Brasil

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